Agência pouco eficiente

Ontem celebrou-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Entre outras propostas, a senhora Secretária de Estado Ana Sofia Antunes referiu a possibilidade de criar uma agência de emprego para as pessoas com deficiência. Esta mesma proposta encontra-se enquadrado num dos eixos em discussão na Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025, e que se encontra em discussão pública até ao dia de natal. E que de acordo com as suas palavras, "O documento abarca oito eixos, incluindo a igualdade e a não discriminação, a educação, o emprego e o lazer, o ambiente inclusivo,​ os apoios sociais e a promoção da vida independente. As grandes prioridades do próximo ano, adianta a secretária de Estado para a Inclusão, são o emprego e as acessibilidades.". É verdade que o desemprego tem aumento e que tem afectado ainda mais invariavelmente as pessoas com deficiência. Um grupo que já se encontrava fustigado pela falta de cumprimento da legislação e da mudança de mentalidades do tecido empresarial e da Sociedade, volta a estar ainda mais numa situação difícil. No entanto, a criação desta agência, que ainda falta reflectir em que moldes é que a mesma irá funcionar, entre outros aspectos, parece-me ir nu sentido oposto daquele do pretendido - a inclusão. O facto de haver legislação, tal como a Lei 4/2019, que promova a criação de cotas para as pessoas com deficiência parece-me ser algo diferente da criação desta agência. O processo de recrutamento e selecção das pessoas com deficiência precisa de ser adaptado? Sim, precisa. Principalmente para não continuar a excluir as pessoas com deficiência. A própria entrevista de emprego precisa de ter profissionais adequados e com formação capaz para saber como proceder com as pessoas portadoras de deficiência? Sim, precisa. As Organizações precisam de continuar a ser sensibilizadas sobre a importância da inclusão e das mais valias na contratação de pessoas com deficiência? Sim, precisam. Mas também é preciso que as pessoas com deficiência possam passar a responder a um anúncio de emprego e serem chamados por aquilo que são as suas competências e a não serem discriminadas. A minha própria reflexão necessita de continuar a ser reflectida. Assim como algumas das ideias da própria senhora Secretária de Estado. Será também fundamental que você, seja pessoa com deficiência ou não, também possa participar. Isto também lhe diz respeito.


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