Como é que eu digo que sou autista?

Como é que eu digo que sou autista? É uma pergunta comum que as pessoas se fazem quando receberam um diagnóstico. E agora, como é que eu digo à minha família? As perguntas aqui colocadas são colocadas por pessoas adultas e que ficam a saber o seu diagnóstico já nesta fase da sua vida. E os meus pais? Como é que eu vou encarar os meus pais? E os meus irmãos? E no trabalho? Devo dizer a alguém? Ao meus chefe? A algum dos meus colegas? E se eles não souberem lidar com a situação? Até eu não estou a conseguir lidar com a situação? Como é que devo responder? Pergunta-se o amigo confidente deste adulto que ficou a saber que tem um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. É porque ele também não sabe. Mas percebe que o amigo está em sofrimento por causa disso. É um dilema interno que atravessa frequentemente a mente das pessoas quando alguém que eles conhecem compartilha a sua condição com eles. Ainda que o diagnóstico seja realizado para fornecer indicações e ajustes adequados e necessários a uma pessoa com uma determinada condição. Além de servir como instrumento para ajudar a melhor compreender o seu perfil de funcionamento e a sua identidade. Identificam os sintomas e observam o comportamento, recolhendo dados e reconhecendo como é que experiências semelhantes respondem melhor a diferentes tipos de apoio. Independentemente de todas estas questões,, um diagnóstico parece ser mais do que tudo isso, principalmente para o próprio. E ainda mais para a pessoa adulta que descobre apenas nesta etapa da sua vida adulta de que aquilo que melhor explica a sua pessoa é um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. Mas divulgar o seu diagnóstico pode ser uma forma realmente útil de comunicar quais as acomodações que você pode precisar para tornar o seu trabalho, local de estudo, vida doméstica e amizades mais simples e acessíveis. Pode parecer estranho que seja necessário divulgar o seu diagnóstico para poder aceder a algo que você considera um direito. As pessoas no seu local de trabalho deveriam perceber as características da pessoa e adequar logo à partida as coisas nos processos de trabalho, pensa a pessoa. Mas o certo é que o desconhecimento acerca das características do Espectro do Autismo são grandes. E ainda assim, a pessoa pensa que deveriam poder respeitar as diferenças das pessoas e poder adequar aquilo que é necessário em respeito à pessoa e de acordo com o trabalho a ser realizado. Sem dúvida que isso deveria ser possível. Até porque existe cada vez mais conhecimento desenvolvido nessa área e que permite que isso seja realizável. Nomeadamente através do modelos de Desenho Universal de Aprendizagem é possível ir ao encontro da neurodiversidade da pessoa e da forma diferente de processamento da informação. E isto é verdade para o local de trabalho, mas também para a Universidade. E em relação às amizades? Penso ser fundamental, também por isto, que o diagnóstico seja uma realidade cada vez mais precoce. Até porque as pessoas em torno da pessoa com Perturbação do Espectro do Autismo, quando esta não tem conhecimento do seu diagnóstico, têm uma dificuldade muito marcada em conseguir compreender a pessoa. Sejam pais, irmãos ou outros familiares, e principalmente colegas e amigos. As pessoas no contacto com a pessoa com PEA e que ainda não o sabe, vão acumulando momentos de incompreensão. Momentos esses que vão criando um fosso cada vez maior. Mas precisamos de pensar que a pessoa em questão pode não querer divulgar o seu diagnóstico. Seja porque ainda não se encontra confiante para o fazer. Mas porque pode sentir que é um direito seu em não o revelar. Tal como na própria Perturbação do Espectro do Autismo existe uma grande heterogeneidade na expressão comportamental de cada pessoa. A forma como cada pessoa com PEA vai construindo e moldando a sua identidade também é suficientemente variada. E como tal a forma como a pessoa escolhe dizer ou não que é autista também é grande, e precisa de ser respeitada. Mas parece-me fundamental duas coisas: poder fazer com que o diagnóstico possa ser o mais precoce possível e além disso a pessoa poder ser acompanhada neste processo, seja de construção da sua identidade, mas também de divulgação.




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