Não faças um drama

Pisar um palco? Nem pensar! E todas aquelas pessoas na plateia a olharem para mim! E se eu me esquecesse do meu papel? E se eles não gostassem? E no fim não aplaudissem? Não consigo. O teatro não é para mim, dizia João (nome fictício) à Rita (nome fictício). Se tu soubesses o fantástico que tem sido! Poder experimentar todos aqueles papéis diferentes. Podermos ser alguém sem nos importarmos. Expressar as nossas emoções, sejam elas quais forem. Poder gritar, amuar, chorar, rir das formas mais estranhas, únicas e alguma vez pensadas, diz-lhe a Rita. Como dizia Oscar Wilde "I regard the theatre as the greatest of all art forms, the most immediate way in which a human being can share with another the sense of what it is to be a human being.". As intervenções dramáticas tentam proporcionar oportunidades criativas, agradáveis e envolventes às pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) para praticarem uma vasta gama de competências sociais em segurança e protecção num ambiente de oficina de teatro. Sendo possível trabalhar desde o grupo inteiro até cenários individuais. As intervenções dramáticas funcionam com base na criação de um contexto fictício, que capta de forma lúdica a atenção dos participantes e encoraja a interacção e a comunicação com os outros. Operando num continuum, há várias abordagens diferentes à utilização do drama como uma intervenção com pessoas autistas, variando desde o envolvimento no espectáculo teatral e o trabalho em guiões de peças de teatro numa extremidade até à improvisação e simulação na outra. Subjacente a todas as formas de intervenções dramáticas está a intenção de envolver activamente o participante na exploração e no sentido do mundo em que vive e trabalha criativamente com ele para compreender o seu lugar e a sua relação com os outros nesse ambiente. As intervenções teatrais são estruturadas, baseadas nas artes, mediações educacionais, envolvendo um fácilitador, professor, ou terapeuta que recorre a uma série de estratégias criativas e divertidas de ensino e aprendizagem para envolver activamente o participante na aprendizagem para uma maior consciência social, comunicação, e sub-posição. Tipicamente, tanto os participantes como os facilitadores assumem papéis que vão desde simples papéis bidimensionais, tais como fingir ser lojista, dentista ou avó, até papéis altamente desenvolvidos, tais como fingir ser um super-herói que vai numa missão para derrotar Lord Vader e salvar o mundo. Ao fim de mais algum tempo, a Rita lá conseguiu convencer o João. A Rita tem um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo e tem beneficiado muito da sua presença num grupo de teatro e procura convencer o seu único amigo João que não é autista, mas que a Rita sente que ele beneficiaria do grupo.


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